Resumo
Os preços dos alimentos em Moçambique poderão subir entre 10 e 12 por cento devido a desafios económicos persistentes, conforme alertado pelo economista Daniel Egas. Apesar das medidas para estimular a economia, obstáculos como pressões macroeconómicas e limitações no acesso ao crédito persistem, dificultando o crescimento da produção nacional. Egas destaca um desequilíbrio na distribuição de recursos financeiros na economia, privilegiando atividades de retorno rápido em detrimento de setores estratégicos como a agricultura. O sector agrícola, representando 21% do PIB, recebe apenas cerca de 3% do crédito disponibilizado, evidenciando um desalinhamento entre a importância económica e o financiamento atribuído. O economista alerta para o crescimento das despesas do Estado em relação às receitas, levando a um aumento do financiamento interno de curto prazo e possíveis desafios económicos futuros. Apesar dos desafios, Egas destaca oportunidades no papel dos corredores logísticos para impulsionar o desenvolvimento económico, desde que acompanhados por reformas estruturais adequadas.
Os preços dos alimentos em Moçambique poderão registar uma subida entre 10 e 12 por cento nos próximos tempos, num cenário marcado por desafios económicos persistentes e dificuldades no financiamento das actividades produtivas.
O alerta foi lançado pelo economista moçambicano Daniel Egas durante a apresentação do relatório da EuroCam sobre o clima de negócios no país, realizada no âmbito da Conferência Empresarial Moçambique–Itália 2026, que decorre em Maputo sob o lema “Parcerias para o desenvolvimento sustentável de infraestruturas”.
Segundo o especialista, apesar das medidas adotadas para estimular a economia, continuam a existir obstáculos que dificultam o crescimento da produção nacional. Entre esses desafios estão as pressões macroeconómicas, as limitações no acesso ao crédito para actividades produtivas e as dificuldades na transmissão dos efeitos da política monetária para a economia real.
Daniel Egas citado pela Agência de Informação de Moçambique, explicou que a redução da taxa de juro de referência para cerca de 9,25 por cento não produziu os resultados esperados em termos de investimento. De acordo com o economista, a descida dos juros não foi acompanhada por um aumento significativo dos investimentos nos sectores produtivos.
No entanto, o problema não se resume apenas ao custo do dinheiro. O economista considera que existe um desequilíbrio na forma como os recursos financeiros são distribuídos na economia. Na sua visão, o sistema tende a privilegiar actividades que geram retornos rápidos, deixando em segundo plano sectores considerados estratégicos para o desenvolvimento sustentável do país.
Assim sendo, Egas apontou o sector agrícola como um dos exemplos mais evidentes desta realidade. Embora a agricultura represente cerca de 21 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), recebe apenas aproximadamente três por cento do crédito total disponibilizado pela banca.
Para o economista, esta diferença demonstra um desalinhamento estrutural entre a importância económica do sector e o financiamento que lhe é atribuído. Como consequência, muitas actividades com potencial para impulsionar o crescimento económico continuam a enfrentar dificuldades para obter recursos financeiros.
Por outro lado, o relatório também chama a atenção para a situação das finanças públicas. Segundo Egas, as despesas do Estado têm crescido a um ritmo superior ao das receitas, obrigando o Governo a recorrer com maior frequência ao financiamento interno de curto prazo.
Desta forma, alertou que o sistema financeiro nacional está a aproximar-se dos seus limites na capacidade de financiar as necessidades do Estado, uma situação que poderá criar desafios adicionais para a economia nos próximos anos.
Apesar deste quadro, Daniel Egas considera que existem oportunidades capazes de impulsionar o desenvolvimento económico do país. Entre elas, destacou o papel dos corredores logísticos, que podem contribuir para aumentar a competitividade nacional e fortalecer a integração económica regional.
Na sua perspectiva, estes corredores têm potencial para transformar a economia moçambicana, desde que sejam acompanhados por reformas estruturais que permitam tirar melhor proveito das infraestruturas existentes.






