InícioNacionalSociedadeGenebra: Moçambique defende inteligência artificial ao serviço do emprego

Genebra: Moçambique defende inteligência artificial ao serviço do emprego

Resumo

Moçambique defendeu, em Genebra, uma utilização responsável e inclusiva da Inteligência Artificial (IA) durante a 114.ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho, promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, alertou que a IA deve estar ao serviço da criação de emprego digno, justiça social e redução das desigualdades. Destacou que a tecnologia pode acelerar a produtividade e inovação, mas também aprofundar desigualdades e excluir os mais vulneráveis. Moçambique está a desenvolver a Estratégia Nacional de Inteligência Artificial e a Política Nacional de Governação de Dados, tendo obtido aprovação para implementar o seu primeiro Sandbox Regulatório de Inteligência Artificial. A ministra enfatizou a importância de uma transformação tecnológica que promova emprego digno e reduza desigualdades, defendendo que a IA deve servir a pessoa humana e a justiça social.

Genebra, 09 Jun (AIM) – Moçambique defendeu esta semana, em Genebra, Suíça, uma utilização responsável e inclusiva da Inteligência Artificial (IA), alertando que o avanço tecnológico só será benéfico se estiver ao serviço da criação de emprego digno, da justiça social e da redução das desigualdades.

A posição foi apresentada pela Ministra do Trabalho, Género e Acção Social, Ivete Alane, durante a 114.ª Sessão da Conferência Internacional do Trabalho, promovida pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), um dos mais importantes fóruns mundiais de debate sobre o futuro do emprego e das relações laborais.

Perante representantes de governos, empregadores e trabalhadores de vários países, a governante moçambicana sublinhou que a Inteligência Artificial representa uma oportunidade sem precedentes para acelerar a produtividade, estimular a inovação e criar novas oportunidades económicas, mas advertiu para os riscos de uma adopção desregulada.

“A inteligência artificial pode abrir novos caminhos para a produtividade, a inovação, a formação, a administração pública e a criação de novas oportunidades de trabalho. Mas também pode aprofundar desigualdades, excluir os mais vulneráveis, fragilizar direitos e ampliar distâncias entre países, sectores, gerações e territórios”, afirmou.

Num discurso marcado por preocupações sociais e laborais, Ivete Alane colocou a dimensão humana no centro do debate tecnológico, defendendo que a principal questão não reside nas capacidades da tecnologia, mas na forma como ela será utilizada.

“Por isso, a pergunta essencial não é apenas o que a tecnologia pode fazer. A pergunta é: a quem serve a tecnologia?”, questionou, para responder de seguida que, para Moçambique, “a inteligência artificial deve servir a pessoa humana, o trabalho digno, a justiça social, a inclusão e a paz”.

A intervenção ocorreu num momento em que a OIT discute os impactos da transformação digital no mercado laboral global, sob o lema “Um momento de escolha: Aproveitar a inteligência artificial para um trabalho digno”, tema do relatório apresentado pelo Director-Geral da organização, Gilbert Houngbo.

Ao apresentar os esforços do país para acompanhar esta transformação, Ivete Alane destacou a criação, este ano, do Ministério das Comunicações e Transformação Digital, bem como os trabalhos em curso para a elaboração da Estratégia Nacional de Inteligência Artificial e da Política Nacional de Governação de Dados.

A ministra anunciou igualmente que Moçambique obteve aprovação para implementar o seu primeiro Sandbox Regulatório de Inteligência Artificial, uma plataforma que permitirá testar soluções tecnológicas num ambiente regulado e seguro.

Contudo, advertiu que a inovação tecnológica não deve comprometer os direitos dos trabalhadores, manifestando preocupação com o crescimento do trabalho em plataformas digitais.

“A transição digital deve criar oportunidades, não novas formas de exclusão”, declarou.

Na sua mensagem final à comunidade internacional, Ivete Alane reafirmou o compromisso de Moçambique com uma abordagem centrada no ser humano, defendendo uma transformação tecnológica capaz de “aumentar capacidades, proteger direitos, promover emprego digno, reduzir desigualdades e fortalecer a coesão social”.

“Queremos fazer da inteligência artificial não uma ameaça ao trabalho, mas uma ponte para mais dignidade, mais oportunidades e mais desenvolvimento sustentável”, concluiu.
(AIM)
Redacção

 

Fonte: aimnews

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