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Moçambique prevê mobilizar 3.950 milhões de euros para melhorar acesso a água e saneamento

Resumo

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, anunciou um investimento de quase 3.950 milhões de euros até 2036 para melhorar o acesso à água e saneamento, com o objetivo de elevar a cobertura de abastecimento de água para 75% da população. O projeto, denominado ProÁguas, visa enfrentar desafios estruturais profundos, como assimetrias entre áreas urbanas e rurais, e a falta de saneamento em zonas mais vulneráveis. O plano inclui a construção e reabilitação de barragens, reservatórios, estações de monitorização de recursos hídricos, ligações de água e infraestruturas de saneamento, bem como melhorias em escolas e unidades sanitárias. Chapo destaca a importância da participação de toda a sociedade neste projeto ambicioso de transformação do setor de recursos hídricos.

O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, anunciou esta segunda-feira a mobilização de quase 3.950 milhões de euros até 2036 para investir em água e saneamento, estimando elevar a cobertura de abastecimento de água para 75% da população.

“O nosso país possui enormes recursos hídricos, mas continua a enfrentar desafios estruturais profundos no acesso à água e ao saneamento. Atualmente, Moçambique apresenta níveis de cobertura de abastecimento de água estimados em cerca de 62,6%, enquanto o saneamento se situa em cerca de 38,2%”, disse o chefe de Estado moçambicano durante o lançamento da Conferência Nacional de Investimentos de Água e Saneamento 2026—2036, no âmbito do Compacto Nacional de Segurança Hídrica (ProÁguas), em Maputo.

Daniel Chapo disse que preocupa o Governo a persistência de “fortes assimetrias” entre o campo e a cidade, entre províncias e comunidades mais desenvolvidas e mais vulneráveis.

“Nas zonas rurais, a cobertura do saneamento situa-se em cerca de 24,6%, enquanto milhares de famílias continuam expostas à realidade dolorosa e humilhante de defecação a céu aberto”, adiantou.

Desafios como os cíclicos eventos climáticos extremos, referiu o Presidente, vieram transformar “profundamente” a forma de encarar a gestão da água no país, quando as projeções indicam um crescimento demográfico acentuado nos próximos anos, exigindo do Estado capacidade de antecipação, preparação e resposta.

“É neste contexto que lançamos o ProÁguas – Compacto Nacional de Segurança Hídrica 2026-2036”, projeto que prevê mobilizar 4.593 milhões de dólares (cerca de 3.950 milhões de euros) ao longo da próxima década, para “elevar a cobertura nacional do abastecimento de água para 75% até 2036, sendo 65% nas zonas rurais e 92% nas zonas urbanas”.

O ProÁguas representa, para o chefe de Estado moçambicano, a mais “abrangente, estruturante e ambiciosa” plataforma nacional de transformação do setor de recursos hídricos, assente em cinco pilares que incluem o fortalecimento de políticas, instituições e mecanismos de regulação do setor e o reforço da gestão de recursos hídricos e da resiliência climática, além da expansão do acesso ao serviço de abastecimento de água e saneamento, a melhoria da eficiência dos serviços e a promoção da participação do setor privado e da mobilização de financiamento sustentável.

“O compacto prevê ainda a construção e reabilitação de quatro grandes barragens, a construção de mil pequenas barragens e reservatórios escavados. Queremos transformar a água das chuvas que esta seguda-feira se perde no rio e no mar em reserva, esperança, produção e prosperidade para as futuras gerações”, mencionou o Presidente, além da edificação de mais de 300 estações de monitoria de recursos hídricos, milhares de novas ligações de água por todo o país e de infraestruturas de saneamento melhorado.

No domínio social, Chapo assinalou que o ProÁguas prevê também a construção e reabilitação de infraestruturas de água, saneamento e higiene em mais de 12 mil escolas e centenas de unidades sanitárias.

“Queremos escolas onde a água promova aprendizagem, saúde e dignidade, porque uma escola sem água é uma escola onde os alunos aprendem com limitações. Queremos unidades sanitárias onde o saneamento proteja vidas e queremos comunidades onde a água deixe de ser um privilégio para passar a ser uma realidade acessível e sustentável para todos”, acrescentou.

“O ProÁguas não pertence apenas ao Governo, pertence ao povo moçambicano e a toda a nação moçambicana, por isso, apelamos ao envolvimento de todos”, concluiu.

 

Fonte: Observador

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