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Moçambique recebe mais 169 repatriados após ataques xenófobos na África do Sul

Resumo

O repatriamento de cidadãos moçambicanos vítimas de ataques xenófobos na África do Sul começou, com 169 pessoas a serem transportadas de centros temporários em Mossel Bay e Hermanus para Moçambique. Este grupo junta-se aos 545 repatriados anteriormente, totalizando 714 regressos. O Governo moçambicano está a providenciar apoio logístico e diplomático, alertando para possíveis novas manifestações anti-imigração na África do Sul. A tensão xenófoba é recorrente no país vizinho, com críticas internacionais e anteriores incidentes graves. Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos na África do Sul, com milhares já regressados devido à violência. Partidos políticos moçambicanos, como a Renamo e a Frelimo, pedem ações firmes contra a xenofobia sul-africana.

Maputo, 06 jun 2026 (Lusa) – As autoridades moçambicanas anunciaram que começou hoje o repatriamento de quase 170 cidadãos nacionais que estão em centros temporários após serem vítimas de ataques xenófobos na África do Sul, elevando para mais de 700 o número dos já repatriados.

Segundo comunicado do Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo), estão concluídos os preparativos para o repatriamento de 169 cidadãos moçambicanos atualmente acolhidos em centros comunitários temporários nas localidades de Mossel Bay e Hermanus.

“A partida está prevista para o dia de hoje, 06 de junho, estimando-se a chegada dos compatriotas ao posto fronteiriço de Ressano Garcia no dia 07 de junho de 2026”, lê-se no comunicado do Gabinfo, assegurando que o Governo criou as condições logísticas para o transporte e assistência dos cidadãos durante o percurso.

Com estes 169, que se somam aos 545 que chegaram ao país na terça-feira, sobe para 714 o número de cidadãos moçambicanos já repatriados na sequência de ataques xenófobos na vizinha África do Sul.

Segundo o executivo, as missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul continuam a acompanhar de perto a situação, prestando apoio aos cidadãos afetados e coordenando as ações necessárias para o seu regresso em segurança ao País.

“Informações partilhadas pelas autoridades da Província do Cabo Ocidental indicam, contudo, a possibilidade de novas manifestações anti-imigração nas próximas semanas, situação que continua a ser acompanhada pelas autoridades moçambicanas”, alerta o Governo, indicando que continua a monitorar a situação, garantindo assistência e proteção aos cidadãos moçambicanos afetados.

Manifestantes sul-africanos deram até 30 de junho para todos os estrangeiros abandonarem a província sul-africana de Kwazulu-Natal, conforme informação adiantada anteriormente pelo Governo moçambicano.

Na segunda-feira, o Gabinfo avançou que mais de 800 moçambicanos residentes na cidade de Mossel Bay, na província sul-africana de Cabo Ocidental, foram, em 29 de maio, vítimas de ações de xenofobia que já mataram nove moçambicanos.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de críticas internacionais por xenofobia. Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.

Moçambique possui cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao país face à violência.

A moçambicana Renamo exigiu ao Governo sul-africano uma posição firme contra ataques xenófobos, para reduzir prejuízos de moçambicanos, advertindo que poderá divulgar, em uma semana, uma lista de bens de cidadãos daquele país em Moçambique.

Também a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) defendeu antes a valorização da ancestralidade para travar ataques xenófobos na África do Sul, encorajando o Governo a prosseguir ações patrióticas na busca de soluções com o país vizinho.

PME // JPS

Lusa/Fim

 

Fonte: Observador

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