Feliz por ter colocado o seu nome na história do clube com a conquista da Taça dos Países Baixos, na temporada passada, Alexandre Penetra tornou-se numa figura importante no plantel do AZ Alkmaar, aonde chegou em 2023, ao ponto de, hoje, ser um dos capitães da equipa.
Em 2025/2026, o defesa-central português superou pela primeira vez a barreira dos 50 jogos, consequência do sucesso desportivo do clube, uma carga física com a qual diz lidar bem.
No futuro, poder jogar numa liga do top-5 europeu ou lutar por títulos num patamar abaixo desse são objetivos a cumprir, mesmo sentindo-se feliz em Alkmaar, num clube que o recebeu de braços abertos e lhe continua a proporcionar «boas oportunidades a nível europeu».
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A temporada 2025/2026 deu-lhe, até ver, o maior título da carreira. O que é que significou conquistar a Taça dos Países Baixos?
Foi uma temporada bastante positiva, que acabou por me dar o meu primeiro título a nível profissional, o que é sempre muito importante. Fiquei muito feliz por, passados 13 anos, o clube ter conseguido vencer uma taça. Acabei por colocar o meu nome na história do clube, o que me deixa muito feliz. Sei que foi um momento muito importante para o clube, que vive um momento de transição ao nível do diretor-desportivo. Fiquei muito feliz, também, por lhe dar isto. Ele já o merecia. Já lá estava há muitos anos e o que fez pelo clube foi muito importante.
E como reagiram os adeptos a essa conquista?
Foi uma grande surpresa para mim. Obviamente que no dia da final, depois de a termos vencido, houve festa durante a noite toda, mas passados dois dias, na passagem do autocarro panorâmico pela cidade, num dia de semana, lembro-me de as ruas estarem cheias. Nem nos meus melhores sonhos pensei que poderiam estar assim. Até tinha comentado com muitos amigos a possibilidade de, por aquele ser um dia de trabalho, as ruas poderem estar um pouco vazias, e eles também tinham essa perspetiva, mas depois fomos surpreendidos pela positiva. É um dos dias que vai ficar para sempre na minha memória.
Houve algum momento na festa que o tenha marcado mais?
O momento que me marcou mais foi quando o meu nome foi chamado para ir ao palco, conseguir ter aqueles pequenos segundos com os adeptos, desfrutar e saber que eles gostam de mim. Quando me veem na rua, dizem-me sempre coisas boas.
O que é que lhe dizem?
Elogiam-me sempre muito, pedem-me para ficar. Sou muito acarinhado e gosto muito disso.
Já lhe deram alguma alcunha, em Alkmaar?
Às vezes dizem ‘vai ali o português’. É uma nacionalidade que não é muito comum no clube. Não sei se fui o primeiro ou segundo, mas fui um dos primeiros portugueses a jogar no clube. Isso acaba por marcar um pouco a diferença. A maneira como vejo o jogo é um pouco diferente da deles e isso também acaba por me valorizar dentro do campo.
A época 2025/2026 foi também aquela em que mais jogou. Foram 54 jogos, no total. Sentiu essa exigência?
Quando me mudei do Famalicão para o AZ, esse foi o ano mais difícil para mim porque foi quando comecei a jogar em competições europeias. É muito diferente jogar de oito em oito dias ou de três em três. O primeiro ano foi de adaptação. No ano anterior acabei por jogar 47 jogos, o que foi muito positivo para mim. Agora acabei por fazer 54 jogos, chegar à final da taça (dos Países Baixos) e aos quartos de final da Liga Conferência. Sinto-me muito preparado para jogar de três em três dias e, para ser sincero, se agora tivesse de tirar isso da minha carreira iria fazer-me alguma confusão. A minha cabeça, o meu corpo e a minha rotina estão tão estipulados para jogar de três em três dias… Durante as férias aproveito para descansar ao máximo, mas durante a pré-época preparo-me para a exigência da época, porque sei quais são os momentos e os dias de recuperação mais difíceis. É a experiência que se ganha ao longo dos anos. Fui aperfeiçoando com os erros e tento melhorar, dia após dia.
Mas acompanha os receios de alguns futebolistas relacionados com a cada vez maior sobrecarga de jogos?
Ainda não tive a oportunidade de entrar no espaço Seleção. Aí, podemos acrescentar talvez mais dez jogos durante a época, o que, com viagens e tudo mais, acaba por ser complicado. Não estando no espaço Seleção, aproveito esses períodos para recuperar. Normalmente, a carga de treinos nessa semana baixa, o que me dá uma ‘bomba de oxigénio’ para preparar as semanas seguintes de sobrecarga. Por isso, acredito que, com esse espaço Seleção no meio de tanta competição, e sem ter períodos de descanso, possam ser jogos a mais. Mas, para já, no meu caso, há semanas e jogos mais difíceis, mas no geral sinto-me bastante bem com este programa.
A Liga neerlandesa preocupa-se com essa questão?
Sem dúvida. Principalmente quando são jogados os play-offs, seja para entrar na Champions, na Liga Europa ou na Conference (League). A Liga e todos os clubes dão total apoio às equipas para, se quiserem, adiarem um jogo e colocá-lo noutra data, para que seja bom para todos. A Liga abre esse espaço e ‘facilita’ porque quer o sucesso das equipas nas competições europeias. Toda a gente, na Holanda, torce por isso. É uma mentalidade um pouco diferente nesse aspeto, o que faz com que tudo seja um pouco mais fácil.
Esta também foi a época em que marcou mais golos (dois) desde que se mudou para o AZ. Isso é reflexo de uma melhor integração no futebol neerlandês?
Sem dúvida. Como defesa-central, tenho de aproveitar muito bem as bolas paradas para poder fazer golos. No início, fez-me um bocado confusão porque todas as equipas aqui defendem homem a homem e isso requer outro tipo de ataque à bola e de desmarcação na área. O primeiro ano fez-me muito bem para perceber a maneira como me tinha de movimentar dentro da área, porque vinha de Portugal, onde 90 por cento das equipas defendem à zona. Quando jogava (em Portugal), só me lembro de apanhar o FC Porto que era homem a homem, por isso tudo acaba por ser um pouco diferente. Passados três anos, consegui aprimorar isso no meu jogo e os números refletem isso.
Renovou recentemente pelo AZ. Sente-se em casa em Alkmaar?
Sinto-me feliz. É um clube que me dá todas as condições e as pessoas sempre me trataram muito bem. Continua a dar-me boas oportunidades a nível europeu.
Ser um dos capitães da equipa ajuda a esse sentimento?
Sem dúvida. (Ser capitão) não me surpreendeu muito porque, quando cheguei, percebi a realidade do clube, que aposta muito na formação e em jovens. Cheguei com 22 anos, já com alguma bagagem de I Liga e de Seleção sub-21. Passados dois anos, tendo mais de 100 jogos pelo clube, (ser capitão) acabou por ser uma coisa natural. No dia a dia, comecei a perceber que podia ser uma referência para os jovens. E também é algo que é natural em mim, sempre fui capitão de equipa na formação e também o fui no Famalicão com dois anos na equipa principal. Quando o treinador falou comigo, fiquei muito contente.
Apesar de se sentir feliz em Alkmaar, já pensou no próximo passo na carreira?
O mercado está aberto e acaba por ser um pouco imprevisível. Mas obviamente que quero dar passos na minha carreira. O próximo clube tem de ser um projeto que seja bom para mim, para a minha carreira, que seja um passo em frente. Vamos ver o que vai acontecer.
Independentemente do país?
O que mais gostava era de ir para uma (liga) top-5 (da Europa). Estando numa liga mais abaixo, tem de ser algo que me leve a lutar por títulos nacionais.
Fonte: TVI






