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RENAMO exige posição firme da África do Sul face à xenofobia

Resumo

A Renamo exige uma posição firme do Governo sul-africano perante os ataques xenófobos que afetaram mais de 1.500 moçambicanos na África do Sul, defendendo uma reação recíproca da população moçambicana. O partido considera insuficiente a resposta do Governo moçambicano e propõe medidas de reciprocidade, incluindo ocupar empreendimentos sul-africanos em Moçambique caso não sejam tomadas medidas para proteger os moçambicanos na África do Sul. A Renamo exige a materialização urgente dos contactos entre os governos moçambicano e sul-africano para pôr fim aos atos xenófobos.

A Renamo exige uma posição firme do Governo sul-africano face aos ataques xenófobos que já afectaram mais de 1.500 moçambicanos naquele país vizinho. O partido da oposição defende uma reacção recíproca por parte da população moçambicana, em nome do que considera ser a defesa da soberania nacional.

Esta é a primeira reacção da RENAMO, enquanto partido, à vaga de actos xenófobos na África do Sul, que desde Maio tem provocado vítimas mortais e deslocados.

Em conferência de imprensa, a RENAMO considerou insuficiente a resposta do Governo moçambicano perante a situação.

“Tenho acompanhado igualmente o posicionamento do Governo de Moçambique, que tem pautado por um discurso de diplomacia, de resolução diplomática. Enquanto isso, os nossos irmãos, as nossas irmãs, os nossos pais e os nossos avós vivem situações catastróficas, sendo tratados como marginais e mendigos na República da África do Sul, que outrora tínhamos como um país irmão, um país amigo. Mas, como devem saber, nas relações entre os Estados não existem relações de amizade, existem relações de interesses”, afirmou o porta-voz da RENAMO, Marcial Macome.

Na sequência do prazo estabelecido por alguns grupos sul-africanos para a saída de estrangeiros daquele país, a RENAMO defende que Moçambique adopte medidas de reciprocidade.

“Nós, enquanto RENAMO, entendemos que é chegada a altura de, do mesmo modo que a África do Sul, ou uma parte dos sul-africanos, delimitou o dia 12 como o último dia para que os estrangeiros abandonem aquele território, também nós, enquanto moçambicanos, enquanto irmãos daqueles que foram expropriados, expatriados e que perderam o seu património, construído com muito suor e trabalho na África do Sul, tomemos uma posição.

Temos connosco uma lista que inclui diversos empreendimentos sul-africanos na República de Moçambique. Estamos a falar de lodges construídos desde a Ponta Malongane, Ponta do Ouro, Marracuene, Macaneta, Inhambane, Gaza e Vilankulo. Uma vez que os nossos irmãos foram expropriados e privados dos seus bens, exigimos uma posição firme do Governo da África do Sul e da Embaixada sul-africana para que sejam tomadas medidas que minimizem a situação de pobreza e de perda enfrentada pelos nossos compatriotas.

Caso contrário, até ao dia 12 poderemos entregar esta lista aos nossos irmãos que perderam os seus bens na África do Sul, para que ocupem estas residências e estabelecimentos. Afinal, são empreendimentos construídos em território moçambicano e há necessidade de salvaguardar a soberania, a dignidade e o respeito pelos moçambicanos”, declarou o porta-voz.

O partido exige ainda a materialização urgente dos contactos que o Governo moçambicano tem vindo a manter com as autoridades sul-africanas, com vista ao fim dos actos de xenofobia.

Fonte: O País

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