InícioInternacionalONU chocada com assassinato de ativista da sociedade civil na Guiné-Bissau

ONU chocada com assassinato de ativista da sociedade civil na Guiné-Bissau

O Alto Comissariado para Direitos Humanos das Nações Unidas emitiu um comunicado expressando choque pelo “assassinato brutal” de um ativista da sociedade civil na Guiné-Bissau.

Segundo o porta-voz do Escritório de Direitos Humanos em Nairóbi, Seif Magango, o corpo de Vigário Luís Balanta, 35 anos, foi encontrado num local ermo, a 30km da capital Bissau, com marcas de espancamento. Em nota, a ONU pediu às autoridades de facto da Guiné-Bissau que investiguem, urgentemente, o assassinato de forma imparcial, que leve os responsáveis à Justiça.

Opositores presos, rádios fechadas

Balanta era líder do movimento Po di Terra e participou ativamente da organização de um protesto popular no fim de dezembro pedindo o retorno da ordem constitucional.

Um mês antes, em 26 de novembro de 2025, a Guiné-Bissau havia sofrido um golpe de Estado que tirou do poder o presidente Umaro Sissoco Embaló e prendeu o líder do Paigc, o maior partido político do país, Domingos Simões Pereira, além de outros nomes da oposição guineense.

NICA - 443950 | Palais Wilson - UN Human Rights Office (26716)

ONU/Jean-Marc Ferré
Sede do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, em Genebra, na Suíça

Para o Alto Comissariado da ONU, o assassinato de Vigário Luís Balanta ocorre num momento de uma crescente redução do espaço cívico e democrático. 

Membros da oposição, defensores de direitos humanos estão sendo detidos arbitrariamente, atacados, assediados e intimidados.

Existe ainda uma repressão a protestos e suspensão de emissoras de rádio, que são um importante meio de comunicação na nação africana de língua portuguesa.

Restaurar ordem constitucional

Segundo agências de notícias, o líder da oposição e ex-primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira teria reagido com tristeza e indignação ao assassinato do ativista Vigário Luís Balanta. 

Simões Pereira está em prisão domiciliar após ser detido no dia do golpe de Estado e passar dois meses detido pelas autoridades militares da Guiné-Bissau.

Para os relatores de direitos humanos da ONU, esses atos não condizem com as obrigações dos direitos humanos internacionais da Guiné-Bissau e devem cessar imediatamente.

E as autoridades guineenses devem tomar providências para restabelecer a ordem constitucional.

Fonte: ONU

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