O Benfica tenciona abrir as portas ao mundo com o lançamento do «Benfica Institute for Sport Excellence», uma plataforma que vai apostar na divulgação e transmissão do conhecimento que o clube acumulou ao longo dos últimos anos, na formação de jogadores, mas também com o objetivo de atrair novos projetos, com possíveis colaborações com universidades e start-ups que permitam ao clube prosseguir na vanguarda da «excelência» a nível europeu.
Um novo projeto apresentado esta terça-feira na Tribuna Presidencial do Estádio da Luz, com vista sobre o novo relvado, e perante uma plateia muito bem composta, com todos os órgãos sociais do clube, mas também com antigos jogadores e outras personalidades, como foi o caso do cardeal Américo Aguiar em destaque na fila da frente.
Rui Costa fez a primeira apresentação do projeto a que se referiu como uma «nova etapa» na «procura incessante pela excelência», projetando o lançamento de cursos online sobre as metodologias do Benfica em áreas que vão desde a performance, scouting, saúde e bem-estar, gestão desportiva e operações.
«Queremos colocar o conhecimento que fomos acumulando durante décadas ao serviço da sociedade. Será uma plataforma aberta ao conhecimento, investigação e inovação, com metodologias e dados. Queremos aproximar clubes, treinadores e atletas. Pretendemos ligar universidades, empresas, start-ups e gerar inovação com impacto real. Estaremos a contribuir para um ecossistema desportivo mais forte, inovador, científico e humano», destacou o presidente que quis deixar claro que o clube está aberto a partilhar o conhecimento que permitiu ao Benfica Campus destacar-se «como uma das maiores academias do mundo».
Um projeto que vai ser liderado por Elisabete Cardozo, administradora da Benfica SAD, sob o lema «partilhar para elevar», que explicou que as inscrições para os primeiros cursos online já estão abertas e «já têm lista de espera para as primeiras trinta vagas».
Este primeiro curso, sobre «Fundamentos da Metodologia Benfica», é destinado a treinadores que procurem compreender a cultura, a metodologia e a linguagem que orientam a formação do Benfica. Foram abertas trinta vagas, sabendo-se que cada inscrição custa 900 euros, com vinte por cento de desconto para os sócios do Benfica.
«É um curso desenhado especificamente para treinadores em início de carreira ou outros profissionais que estejam a dar os primeiros passos na indústria. O curso é inteiramente online e explica o que é a metodologia Benfica, a partilhar princípios que têm guiado a nossa atuação ao longo de décadas. O primeiro curso vai ser já disponibilizado em português e inglês, acessível para todo o mundo», sublinhou.

«Vamos selecionar projetos que façam sentido para nós»
Para Elisabete Cardozo, o Benfica não corre o risco de, com estes cursos, estar a passar informação vital sobre o funcionamento do clube aos adversários diretos. «Não existe esse risco porque a excelência não é estática, é dinâmica», referiu.
A administradora explicou ainda o que é que o clube ganha com esta transmissão de conhecimento. «Ganha em três vertentes. Ganha financeiramente [Benfica espera uma taxa de retorno acima dos trinta por cento]. Ganha porque valoriza a marca Benfica. E ganha porque vamos atrair conhecimento, disseminar práticas vanguardistas e atrair pessoas que pensam o futebol», explicou.

Este último ponto já está relacionado com outra parte do projeto, a que o clube denominou «Benfica Exchange» em que o clube abre espaço para futuras colaborações com universidades ou start-ups que possam trazer mais-valias para o clube. «Neste caso é ainda um formulário aberto. Vamos selecionar projetos que façam sentido para nós», explicou ainda a administradora da SAD.
A terceira cara deste novo projeto é a do alemão Thilo Kunkel, membro do Conselho Científico, que acentuou que o Benfica «tem sido um dos melhores ambientes para desenvolver futebolistas e treinadores» na indústria do futebol e, além disso, «as organizações que continuam a crescer são as que continuam a aprender».
«O clube desenvolveu uma metodologia única e o instituto cria uma oportunidade de captar esse conhecimento, partilhando-o globalmente. As colaborações entre universidades e organizações desportivas são, muitas vezes, limitadas. O instituto junta as duas perspetivas e cria um ambiente onde se pode aprender uma com a outra, evoluindo a indústria e contribuindo para o futuro do desporto», explicou ainda.
Fonte: TVI




