Resumo
A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) está a promover Moçambique como uma plataforma estratégica para aceder aos mercados africanos, visando transformar relações comerciais em investimento produtivo, industrialização e emprego. Durante um encontro com empresas polacas em Maputo, a CTA destacou Moçambique como parceiro ideal para expandir operações na África Austral e no continente. As exportações para a Polónia ultrapassaram os 100 milhões de dólares em 2024, mas a CTA considera que há potencial para aumentar significativamente o comércio. A aposta passa por atrair investimento produtivo para gerar valor localmente, alinhando-se com as políticas de desenvolvimento económico africanas. Moçambique destaca-se pela sua localização estratégica, permitindo o acesso a mercados regionais e continentais.
Esta visão foi apresentada durante um encontro empresarial entre empresas moçambicanas e polacas realizado em Maputo, onde a CTA procurou posicionar Moçambique como um parceiro privilegiado para empresas interessadas em expandir operações para a África Austral e para o continente africano em geral.
Na ocasião, o Presidente da CTA, Álvaro Massingue, destacou que a presença da missão empresarial polaca demonstra a confiança crescente no potencial económico do país e pode abrir uma nova etapa nas relações económicas entre Moçambique e a Polónia.
Exportações Crescem, Mas Potencial Continua Por Explorar
Segundo dados apresentados pela CTA, as exportações moçambicanas para a Polónia ultrapassaram os 100 milhões de dólares em 2024, sendo compostas maioritariamente por carvão, castanha de caju, tabaco e outros produtos primários. Apesar disso, os níveis actuais de comércio continuam bastante abaixo do potencial identificado pelas duas partes.
“O número demonstra um potencial extraordinário de crescimento”, afirmou Álvaro Massingue, acrescentando que as actuais trocas comerciais representam apenas uma pequena parte das oportunidades existentes entre as duas economias.
Mais Do Que Comércio, Aposta Em Investimento
A CTA defende que a próxima fase das relações económicas deve ir além da simples exportação e importação de mercadorias.
“Nós não queremos apenas aumentar o comércio entre os nossos países. Queremos criar empresas, fábricas, empregos e inovação”, afirmou Massingue, sublinhando que o objectivo passa por atrair investimento produtivo capaz de gerar valor acrescentado localmente.
Esta abordagem está alinhada com uma visão cada vez mais presente nas políticas de desenvolvimento económico africanas, que procuram utilizar o investimento estrangeiro como instrumento para promover industrialização, transferência de tecnologia, desenvolvimento de competências e integração nas cadeias de valor.
Moçambique Como Plataforma Regional
Um dos principais argumentos apresentados pela CTA assenta na localização estratégica de Moçambique.
O país dispõe de uma extensa costa sobre o Oceano Índico, corredores logísticos que ligam vários países do interior da África Austral aos mercados internacionais e acesso preferencial a importantes espaços económicos regionais.
Segundo Álvaro Massingue, investir em Moçambique significa não apenas aceder a um mercado nacional com mais de 34 milhões de habitantes, mas também alcançar mais de 400 milhões de consumidores da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).
Além disso, a Zona de Comércio Livre Continental Africana (AfCFTA) amplia significativamente esta dimensão, criando um mercado potencial de cerca de 1,4 mil milhões de consumidores e um Produto Interno Bruto agregado superior a 3,4 biliões de dólares.
Polónia Identifica Oportunidades Em Sectores Estratégicos
Do lado polaco, o Chefe da Missão Diplomática e Encarregado de Negócios para Moçambique, Jacek Chodorowicz, reconheceu igualmente o potencial competitivo do país.
O diplomata destacou a riqueza dos recursos naturais, a localização geográfica privilegiada e o papel desempenhado pelos corredores logísticos moçambicanos no apoio às economias sem acesso directo ao mar da África Austral.
“Mozambique possui recursos naturais significativos, uma posição geográfica privilegiada e funciona como porta de entrada para economias do interior. Estes factores tornam o país atractivo para empresas polacas interessadas em expandir-se para África”, afirmou.
Energia, Logística E Agro-Indústria Lideram Oportunidades
A CTA identificou diversas áreas com elevado potencial para parcerias empresariais e investimento.
Entre os sectores prioritários encontram-se energia, petróleo e gás, engenharia industrial, infra-estruturas ferroviárias, mobilidade urbana, gestão de resíduos, agro-indústria, transformação alimentar e saúde.
A organização empresarial reafirmou igualmente a sua disponibilidade para apoiar investidores polacos na identificação de parceiros locais, facilitação de contactos institucionais e desenvolvimento de novos projectos empresariais no país.
Num contexto em que Moçambique procura acelerar a industrialização, aumentar as exportações e captar mais investimento estrangeiro directo, a combinação entre os recursos naturais nacionais, a localização geoestratégica e os mercados regionais emergentes poderá constituir uma das principais vantagens competitivas do país na próxima década.
Para a CTA, o desafio passa agora por transformar esse potencial em projectos concretos de investimento capazes de gerar emprego, inovação e crescimento económico sustentável.
Fonte: O Económico
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