Excertos de declarações polémicas, que terão sido proferidas há cerca de dois anos por Pedro Proença, então presidente da Liga e atual líder da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), vazaram ilegalmente na internet e as ondas de choque vão-se fazendo sentir em diversas latitudes do futebol nacional.
Ao longo de uma conversa tida, alegadamente, com responsáveis do Benfica, e que foi gravada ilicitamente, Pedro Proença critica a qualidade dos árbitros portugueses - «são fracos, são todos muito fracos», chega mesmo a dizer a certa altura -, garantindo que há apenas «três ou quatro minimamente competentes». «O Artur [Soares Dias], o [João] Pinheiro, mete o gajo do Algarve [Nuno Almeida], epah e depois metes ali o Godinho ou uma coisa qualquer assim. Os outros são todos muito fracos», ouve-se dizer.
Para além disso, Proença faz considerandos sobre José Fontes Gomes, antigo presidente do Conselho de Arbitragem e atual vice-presidente da FPF, nomeado por ele, dizendo que «o Zé [Fontelas Gomes] é o que é o Zé, não estejas à espera de um gajo competentíssimo como eu». «O Zé tem o 12º ano, é um gajo que nasceu num bairro de lata e fez-se homem no futebol», adianta.
Para além disso, fala também dos processos judiciais do Benfica.
«Das 32 vezes em que fui chamado à Polícia Judiciária, 27 foram processos do Benfica. Sabes onde é que se faz a instrução dos processos? A instrução dos processos é na Liga. Queres jogar esse jogo comigo, Seara? Não brinques comigo, c******», é possível ouvir Proença dizer, alegadamente, a Fernando Seara, antigo presidente da mesa da Assembleia Geral do Benfica.
A reunião terá acontecido numa altura em que Pedro Proença procurava reunir apoios para se candidatar à presidência da FPF, cargo para o qual acabaria por ser eleito no ano passado.
Entretanto, a APAF - Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol já veio a público condenar «de forma inequívoca este tipo de discurso que coloca em causa a competência, a credibilidade e a dignidade de uma classe que trabalha diariamente com enorme profissionalismo».
«A APAF espera que o atual Presidente da Federação Portuguesa de Futebol esclareça de forma clara o contexto, o conteúdo e o motivo das declarações atrás referidas, relativas aos árbitros portugueses, proferidas quando ocupava outro importante cargo no futebol em Portugal», pode ainda ler-se no comunicado.
Fonte: TVI






