InícioTecnologiaSe é digital, não é teu. Temos outra prova disso mesmo!

Se é digital, não é teu. Temos outra prova disso mesmo!

Resumo

A Sony vai eliminar 551 filmes da PlayStation Store no Reino Unido a partir de 1 de setembro de 2026, sem oferecer reembolsos aos utilizadores que os compraram, devido ao fim do acordo de licenciamento com a Studio Canal. Esta ação reflete a realidade desconfortável de que, no mundo digital, os consumidores não são donos do conteúdo adquirido. Esta não é a primeira vez que a Sony toma uma decisão deste género, tendo já eliminado centenas de títulos noutras ocasiões. A situação levanta preocupações sobre a propriedade de conteúdos digitais, incluindo filmes, séries e videojogos, e destaca a importância de os consumidores estarem cientes das implicações dos contratos de utilização ao adquirirem produtos digitais. O movimento "Stop Killing Games" na Europa procura pressionar os governos a criar leis que protejam os consumidores nestas situações, mas a recente decisão da Comissão Europeia em favor da Ubisoft destaca os desafios que os consumidores enfrentam no mercado digital.

Sony vai apagar 551 filmes que compraste na PlayStation. Ficas sem o dinheiro, e sem o conteúdo. – Se costumas ler os meus artigos aqui na Leak, sabes perfeitamente que sou um grande defensor da conveniência da tecnologia. Mas, há dias em que a indústria decide dar-nos uma chapada de luva branca para nos recordar de uma realidade muito desconfortável.

Ou seja, no mundo digital, tu não és dono de absolutamente nada do que compras. A Sony acabou de dar o exemplo perfeito disso e o resultado é um autêntico soco no estômago para os utilizadores.

A gigante japonesa confirmou que vai eliminar 551 filmes e séries da PlayStation Store no Reino Unido já no próximo dia 1 de setembro de 2026. O pior de tudo? Estes conteúdos não vão apenas desaparecer da loja para novos compradores. Vão ser apagados das bibliotecas dos utilizadores que já tinham pago por eles.

Para fechar a coisa com chave de ouro, a Sony não fez qualquer menção a reembolsos, o que significa que a malta vai ficar sem os filmes e sem o dinheiro.

Na base desta decisão está o fim do acordo de licenciamento entre a Sony e a Studio Canal. Como as duas empresas não chegaram a consenso para renovar o contrato, a corda partiu pelo lado mais fraco… o do consumidor. Entre os mais de 500 títulos confiscados estão autênticos pesos pesados do cinema, como a saga John Wick, Terminator 2, Rambo, Apocalypse Now, Total Recall e até o aclamado Paddington.

Como seria de esperar, as redes sociais e os fóruns de discussão estão a arder com utilizadores furiosos. E não é para menos. Esta já não é a primeira vez que a Sony faz uma razia destas. Em 2022, já tinha limpado centenas de títulos na Alemanha e na Áustria, e em 2023 varreu do mapa mais de 1300 temporadas de programas da Discovery, como MythBusters e Shark Week, deixando milhares de consumidores a ver navios.

É a pergunta do milhão de euros.

Mas, a grande rasteira jurídica está nos contratos de utilização (os famosos EULA) que todos nós aceitamos sem ler. Quando carregas no botão “Comprar” numa loja digital, a lei não interpreta que estás a adquirir o filme, mas sim uma licença temporária e revogável para o assistires. É a velha máxima do “não terás nada e serás feliz” levada ao extremo.

Este problema não se esconde apenas no cinema e no streaming. O mercado dos videojogos está infetado com a mesma obsolescência planeada. Quantas vezes já viste editoras multimilionárias a desligar os servidores de jogos puramente online, deitando ao lixo o dinheiro e o progresso de milhares de jogadores que continuavam ativos?

Entretanto, na Europa, a frustração é tanta que nasceu o movimento “Stop Killing Games” para tentar pressionar os governos a criar leis que impeçam as editoras de matar jogos pagos. De facto, recentemente, o grupo avançou com processos contra a Ubisoft por ter desligado os servidores do jogo de corridas The Crew. Porém, infelizmente, a Comissão Europeia acabou de dar razão à Ubisoft, protegendo os direitos de propriedade intelectual e os custos da empresa em detrimento dos direitos de quem pagou pelo produto.

Em suma, isto deixa um aviso muito sério para o futuro do consumo. Se o mercado continuar a caminhar para o formato puramente digital e a matar o suporte físico. Vamos ficar totalmente reféns dos humores, das falências e das guerras de licenças das grandes corporações. É o que é.

 

Fonte: Zero Zero

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