Resumo
O novo sistema de depósito e reembolso de embalagens, conhecido como Volta, tem levantado questões sobre o destino do dinheiro das cauções não reclamadas. A SDR Portugal esclareceu que estes valores serão reinvestidos no próprio sistema, conforme regras da Agência Portuguesa do Ambiente e da Direção-Geral de Economia. O dinheiro não reclamado fica cativo e contabilizado por três anos antes de poder ser reinvestido em melhorias logísticas ou campanhas de sensibilização. O objetivo é recolher e reciclar 90% das 2100 milhões de embalagens de bebidas anualmente em Portugal até 2029, mas o processo tem enfrentado desafios. Com um investimento privado de 150 milhões de euros, o sistema já conta com a adesão de 90% da indústria e 80% dos retalhistas, dispondo de mais de 2500 pontos de recolha automática pelo país.
Como deves imaginar, sempre que um novo sistema envolve cobrar uma caução de 0,10€ por cada lata ou garrafa de plástico que compras, a malta quer saber para onde vai o dinheiro. Afinal de contas, tendo em conta que apenas foram devolvidas 10 milhões de embalagens em 2 meses, e o consumo mensal é de mais ou menos 100 milhões de embalagens, há muitos depósitos de 10 cêntimos a ficar pelo caminho.
O que levanta a questão: o que acontece aos milhares ou milhões de euros daquelas embalagens que as pessoas pura e simplesmente não devolvem ou daqueles talões que ficam esquecidos na gaveta e passam do prazo de validade de um ano?
A resposta oficial já chegou e, no papel, a lógica faz sentido. Mas calma… Estamos em Portugal e convém olhar para as letras miúdas.
A SDR Portugal, que é a entidade privada sem fins lucrativos responsável por gerir a rede Volta, veio a público esclarecer que todo o dinheiro das cauções não reclamadas vai ser obrigatoriamente reinvestido no próprio sistema.
Segundo as regras ditadas pela Agência Portuguesa do Ambiente e pela Direção-Geral de Economia, a associação não pode meter este lucro ao bolso. O montante tem de ser usado para cobrir os custos de gestão global da rede. Algo curioso, visto que no início do sistema também se falou de meter dinheiro no Fundo Ambiental. Mas isso não pode ser imediato.
Isto porque também é preciso ter em conta a matemática dos talões que perdem a validade. Ou seja, se limpares as tuas gavetas e encontrares um talão Volta com mais de um ano, podes esquecer o reembolso. Mas a SDR Portugal também não lhe deita a mão imediatamente. Esse dinheiro tem de ficar cativo e contabilizado durante três anos. Só depois desse período é que pode ser reinvestido na manutenção das máquinas de recolha automática, em melhorias logísticas ou em campanhas de sensibilização (ou outras coisas).
E isto é preciso salientar… A meta definida até 2029 é gigantesca. Querem recolher e encaminhar para reciclagem uns impressionantes 90% das cerca de 2100 milhões de embalagens de bebidas que circulam anualmente em Portugal. O que não está a correr muito bem.
Para colocar este bicho a funcionar após anos de sucessivos adiamentos, o investimento privado bateu nos 150 milhões de euros. Neste momento, o sistema já conta com a adesão em peso de 90% da indústria das águas, refrigerantes e cervejas, e de 80% dos retalhistas nacionais. Atualmente, os consumidores já contam com mais de 2500 pontos de recolha automáticos e quiosques espalhados pelo país.
Tu por aí, já ganhaste o hábito de juntar as tuas garrafas com o símbolo Volta para ir buscar os 10 cêntimos à máquina, ou achas que este sistema é demasiado “chato” e o dinheiro vai acabar por ficar esquecido nas contas da rede?
Fonte: Zero Zero






