Pois bem, a SDR Portugal veio hoje para a praça pública festejar, de peito cheio, a marca das 100 milhões de embalagens recolhidas. Mais concretamente, uma taxa de recolha de 38%. Só que há um pequeno detalhe que o comunicado deles tenta desvalorizar.
Basta dar uma volta por cidades como o Porto ou Lisboa para ver a triste realidade… Contentores de lixo destruídos, sacos rasgados e lixo espalhado pelas passeios por causa da caça aos 10 cêntimos.
A resposta da entidade gestora? “São problemas pontuais” e “aconteceu o mesmo na Alemanha e na Irlanda”. Pois claro.

Portanto, dizem que a culpa de haver gente a revirar o lixo é do português que continua a deitar as garrafas no caixote normal em vez de ir à máquina do supermercado. Querem que fiquemos descansados porque na Letónia demorou dois anos a passar e na Alemanha meteram uns suportes de metal ao lado dos caixotes.
Mas… Se isto já se sabia, porque é que o sistema foi implementado desta forma, e não já com tudo assegurado? Temos cerca de 2.500 pontos automáticos para o país inteiro, o que obriga o cidadão a fazer romarias com sacos cheios de plástico para encontrar máquinas que, metade das vezes, estão fora de serviço ou cheias.
Como sempre, lançou-se um sistema com pompa e circunstância sem preparar a higiene urbana nem adaptar as infraestruturas de recolha nas cidades.
IMAGEM
A SDR faz questão de sublinhar que o sistema não usa dinheiros públicos e que os 10 cêntimos das embalagens não devolvidas não revertem para os cofres do Estado nem dão lucro à associação. Servem, segundo eles, para reinvestir na operação. (Apesar de também ser quase assegurado que vai parar ao Fundo Ambiental).
O problema é que, enquanto os milhões circulam entre entidades privadas e os retalhistas tentam acertar as contas, quem vive no meio do caos e com o lixo à porta de casa continua a ser o tuga.
Dizer que a vandalização dos contentores vai “diminuir com o tempo” é uma forma muito bonita de empurrar o problema com a barriga. Veremos quantas toneladas de lixo espalhado na rua vão ser precisas até que decidam aplicar soluções a sério.
Fonte: Zero Zero




