Maputo, 13 de Agosto (AIM) – Os comunicadores do Governo devem deixar de ser vistos apenas como técnicos de imprensa e assumir-se como actores estratégicos da governação, responsáveis por aproximar o Estado dos cidadãos e transformar a informação oficial em confiança pública.
A mensagem foi deixada hoje, em Maputo, por Inocêncio Impissa, porta-voz do Governo e Ministro da Administração Estatal e Função Pública, na abertura do I Fórum Nacional dos Comunicadores do Governo, que reúne 120 participantes para três dias de retiro em Maputo e Macaneta.
Representando a Primeira-Ministra, Maria Benvida Levi, Impissa destacou que a comunicação governamental constitui uma ferramenta estratégica para a consolidação da democracia, na medida em que assegura aos cidadãos o acesso à informação sobre decisões, políticas, programas e realizações do Governo.
“A comunicação governamental em Moçambique não é apenas um exercício técnico de transmissão de mensagens, é uma actividade estratégica”, afirmou.
Para o governante, a qualidade da governação não depende apenas da capacidade de formular e implementar políticas públicas, mas também da capacidade de explicá-las, prestar contas sobre os resultados e ouvir os cidadãos a quem essas políticas se destinam.
É nesta relação permanente entre o Estado e o cidadão, defendeu, que se constrói a confiança pública.
“A confiança constrói-se todos os dias, através de informação credível, transparente, acessível e responsável”, frisou Impissa,
O lema do fórum, “Comunicação Governamental Estratégica: Confiança Pública, Coordenação Institucional e Identidade Territorial” — reflecte, segundo o governante, as três dimensões fundamentais de uma comunicação pública moderna: comunicar para gerar confiança, coordenar para garantir eficácia institucional e valorizar as identidades territoriais para fortalecer a unidade nacional e a diversidade sócio-cultural e geográfica do país.
Num contexto marcado pela transformação digital, inteligência artificial e expansão das redes sociais, o Governo reconhece que a comunicação pública enfrenta novos desafios. A velocidade de circulação da informação, associada à proliferação de notícias falsas e conteúdos não verificados, exige dos comunicadores maior rapidez, rigor e capacidade de adaptação.
Impissa advertiu que conteúdos produzidos e difundidos sem verificação podem alcançar milhares de cidadãos em poucos minutos, criando desinformação e confundindo a opinião pública.
“Uma mensagem produzida num gabinete em Maputo pode chegar, em poucos minutos, a cidadãos em Mavago, Mueda, Sussundenga, ou outro ponto do País”, observou.
Perante esta realidade, o porta-voz do Governo apelou aos comunicadores para se adaptarem às novas plataformas e utilizá-las com inteligência e responsabilidade. Mais do que responder posteriormente à desinformação através de comunicados, briefings ou sessões de esclarecimento, defendeu, é necessário ocupar os novos espaços de comunicação e estabelecer um diálogo mais directo com a sociedade.
A transformação digital, segundo Impissa, deve ser encarada como uma oportunidade para tornar a comunicação governamental mais inclusiva e próxima. Os comunicadores são chamados a dominar as redes sociais, adaptar conteúdos às diferentes plataformas e encontrar novas formas de fazer chegar a informação pública a diferentes segmentos da população.
A missão passa, assim, por traduzir políticas, programas e decisões do Governo em mensagens que possam ser compreendidas por públicos distintos, sem perder o rigor e a responsabilidade institucional.
Neste processo, o profissionalismo, a ética e o compromisso com a verdade assumem particular importância.
“Cada informação que transmite representa uma instituição pública e, em última análise, o próprio Estado”, alertou o governante.
Outro desafio colocado no fórum é a necessidade de reforçar a coordenação entre os diferentes sectores da Administração Pública. Para Impissa, embora o Estado seja constituído por várias instituições, a comunicação do Governo deve apresentar-se de forma articulada, coerente e harmonizada.
O I Fórum pretende precisamente contribuir para a criação de uma verdadeira rede de comunicação governamental, na qual os profissionais deixem de trabalhar de forma isolada e passem a partilhar informação, experiências e soluções para desafios comuns.
Os dois dias de retiro em Macaneta constituem, neste sentido, uma oportunidade para os 120 participantes reflectirem sobre os principais desafios da comunicação governamental e definirem respostas que possam ser transformadas em acções concretas.
Entre as prioridades apontadas estão a consolidação de uma comunicação governamental integrada, o reforço da transparência e da prestação de contas, a promoção da inovação e da transformação digital, a capacitação contínua dos comunicadores e o fortalecimento dos mecanismos de comunicação em situações de emergência e crise.
(AIM)
Paulino Chevo
Fonte: aimnews



