Já deves saber perfeitamente que o mercado de memórias RAM e armazenamento SSD tem andado virado do avesso. A febre louca dos centros de dados focados em Inteligência Artificial limpou o stock global das marcas tradicionais e atirou os preços dos componentes para a estratosfera. Mas enquanto marcas como a Samsung, a Kioxia ou a Western Digital esfregam as mãos com as margens de lucro e deixam o mercado de retalho a seco, há um novo gigante a mexer-se nos bastidores.
A Lenovo já começou a enviar portáteis para as lojas equipados com SSDs da marca chinesa YMTC. Ou seja, a substituição silenciosa já começou. Porém, não é expectável que os preços baixem com esta novidade.

A descoberta foi feita recentemente durante os testes de laboratório ao novo Lenovo ThinkBook 14 G9 IPL, um portátil de trabalho equipado com os novos processadores Intel Core Ultra.
Ou seja, ao abrirem a máquina para fazer o habitual teardown, depararam-se com um SSD M.2 PCIe 4.0 de 512 GB fabricado pela YMTC (Yangtze Memory Technologies). Até agora, esta marca era uma autêntica desconhecida no mundo dos portáteis comerciais, operando quase sempre longe dos holofotes e focada no mercado interno chinês.
Mas o mundo mudou, e as portas estão mais abertas do que nunca a chips chineses.
Os testes de desempenho revelaram que o disco cumpre a sua função para o utilizador comum de escritório, mas não vai quebrar nenhuns recordes de velocidade. Registou leituras sequenciais de 3950 MB/s e escritas de 2514 MB/s. Valores que ficam abaixo da média da concorrência direta no mercado profissional. Além disso, quando o portátil é puxado ao limite, o SSD sofre de throttling (reduz a velocidade para não aquecer demasiado).
Para abrir o Word, navegar na web ou ver uns ecrãs de Excel chega perfeitamente, mas se estavas à espera de performance de topo de gama, tira o cavalinho da chuva.

A verdadeira jogada de mestre aqui não é a velocidade do disco, mas sim a estratégia comercial da Lenovo. Com os fornecedores tradicionais focados a 100% em vender chips caríssimos para servidores de IA. As marcas de portáteis tiveram de se fazer à vida para manter as linhas de produção a funcionar sem disparar o preço final dos computadores para valores pornográficos.
Ao trazer a YMTC para o campeonato principal dos computadores de retalho, a Lenovo quebra o monopólio do trio clássico de fornecedores de memória. Mais importante que isso, garante stock estável para os modelos que vais comprar na Fnacs ou Wortens da vida. É a prova viva de que a indústria chinesa de semicondutores já não quer ser apenas uma alternativa barata ou uma ameaça distante nas notícias de geopolítica. Eles já estão dentro do teu computador de trabalho.
Dito tudo isto, se estás a pensar comprar um portátil nos próximos meses, o melhor é começares a habituar-te a ver estes nomes menos conhecidos na ficha técnica. O mercado mudou as regras do jogo! E claro, a China está a aproveitar a boleia da crise da IA para entrar na tua casa pela porta da frente.
Fonte: Zero Zero






