Se és fã de fenómenos astronómicos, prepara-te para os melhores dois anos da tua vida. Entre agosto de 2026 e janeiro de 2028, a Península Ibérica vai ser palco de três eclipses solares distintos: dois totais e um anular. Uma sequência tão rara que os astrónomos já lhe chamam a “era dourada” dos eclipses solares na Europa. E o mais impressionante é que Portugal está no caminho de dois deles. Mas quando serão os três eclipses solares?
Os eclipses solares acontecem várias vezes por ano em algum ponto do planeta. O que é verdadeiramente invulgar é a mesma região geográfica ser atravessada por três eclipses significativos em anos consecutivos. Segundo o Ministério da Ciência espanhol, esta concentração representa uma oportunidade científica pouco comum e dificilmente repetível a curto prazo.

Para teres uma noção da escala: o último eclipse solar total visível de Portugal continental aconteceu em 1912. Foram 114 anos de espera. E agora vamos ter esta sequência toda de uma vez.
O primeiro, e o mais especial para Portugal, acontece já a 12 de agosto de 2026. A faixa de totalidade atravessa a Islândia e o norte de Espanha e toca o extremo nordeste de Portugal, na zona de Bragança, onde o dia se transforma em noite durante cerca de 26 segundos. No resto do país, a ocultação do Sol fica entre os 92% e os 99%, com o máximo ao final da tarde, perto do pôr do sol.
É o primeiro eclipse total visível da Europa continental desde 1999 e, se falhares este, o próximo eclipse total em Portugal continental só está previsto para 2144. Portanto, sem pressão.
Menos de um ano depois, a 2 de agosto de 2027, chega o segundo eclipse total. Desta vez, a trajetória desloca-se para sul: atravessa o Estreito de Gibraltar e o sul de Espanha, seguindo depois para o norte de África e o Médio Oriente. Portugal continental fica fora da faixa de totalidade e verá apenas um eclipse parcial, com menor cobertura do que em 2026.

Ainda assim, este eclipse vai dar que falar a nível mundial: será o mais longo dos últimos 157 anos, com a totalidade a chegar a cerca de seis minutos em algumas regiões (o normal são três a quatro). Para quem quiser fazer turismo de eclipses, o sul de Espanha fica literalmente ao lado.
Entretanto o terceiro evento é diferente dos anteriores. A 26 de janeiro de 2028 ocorre um eclipse solar anular: a Lua, mais afastada da Terra, não consegue tapar completamente o Sol e deixa visível um anel luminoso à sua volta, o famoso “anel de fogo”. E, desta vez, a faixa do fenómeno deverá atravessar o Alentejo, colocando o sul de Portugal na primeira fila.
Seja total, parcial ou anular, a regra é a mesma: nunca olhes diretamente para o Sol sem óculos certificados pela norma ISO 12312-2. Os óculos de sol normais não servem e, mesmo com o Sol quase todo tapado, a radiação que passa é suficiente para causar danos permanentes na visão em segundos. A boa notícia é que os óculos certificados custam pouco mais de 1€ e servem para os três eclipses, desde que estejam em bom estado.
Três eclipses, dois anos, e Portugal com lugar marcado em dois deles. Não é todos os dias (nem todos os séculos) que o céu nos dá um calendário destes.
Fonte: Zero Zero





