Os professores classificadores de exames nacionais acordaram esta segunda-feira com mais um percalço no seu trabalho: não conseguiram aceder à plataforma digital de classificação. A mensagem que aparece nos ecrãs, como se pode ver na imagem em cima, informa que a plataforma está em manutenção e será reaberta às 15:00.
Esta informação foi confirmada à CNN Portugal por Cristina Mota, da Missão Escola Pública, após o contacto com vários professores. A CNN Portugal contactou o Ministério da Educação e aguarda uma explicação sobre o que se passa com a plataforma.
Entre os professores fala-se que poderá estar a ser instalado um “novo botão para reportar quando não aparecem as folhas de continuação” de resposta dos alunos, avança Cristina Mota.
Este é mais um problema que vai atrasar o já bastante conturbado processo de classificação dos exames, lamenta Cristina Mota. "E com isto se vai passar mais um dia até se conseguir trabalhar. O ministro avançou em quatro dias o prazo para a classificação mas, perante esta situação, nada adianta esse alargamento", conclui.
Os professores terão agora até 14 de julho para classificar as provas (era até dia 10), e os resultados serão afixados a 17 de julho, em vez de 14 de julho.
O novo calendário prevê ainda que a segunda fase dos Exames Finais Nacionais do Ensino Secundário, que deveria começar a 16 de julho, arranque apenas na tarde de 20 de julho e termine a 24 de julho, em vez de 22 de julho.
A Federação Nacional dos Professores considera também que esta será uma semana decisiva para perceber se o processo dos exames de 2026 fica ou não comprometido. Para a Fenprof, o adiamento do prazo da divulgação das notas não resolve os problemas, uma vez que afeta as férias das famílias e de professores e pode comprometer mais tarefas de preparação do ano letivo.
"Agora, existe alguma ansiedade entre os professores: como estará a plataforma depois desta manutenção? Será que o trabalho já feito vai lá estar?", questiona Cristina Mota, recordando que na quinta-feira vários professores reportaram que vários itens já classificados desapareceram da plataforma ou apareceram classificados por outros professores.
Classificadores tardia ou erradamente convocados, itens não distribuídos, ou distribuídos com materiais ilegíveis ou incompletos, itens extraviados por classificar ou já classificados - estes são alguns dos problemas que têm assombrado esta época de exames.
"Existe uma grande confusão", afirma Cristina Mota. A Missão Escola Pública defende que a melhor solução, neste momento, seria "retomar o papel". Ou seja, "reunir os cadernos dos exames e redistribui-los a professores classificadores".
"Mas só se for possível garantir que os cadernos estão completos. Se não, não vale a pena", diz.
O movimento de professores defende ainda que a segunda fase dos exames deveria passar para o início de setembro, para garantir que todos o problemas estejam resolvidos.
"Vamos continuar a acompanhar a situação e pressionar para que se enconrem soluções. E também temos que pensar a longo prazo - é preciso perceber o que é que correu mal e procurar apurar responsabilidades", diz a professora à CNN Portugal.
Entretanto, a Missão Escola Pública aconselha também os alunos a requer o acesso à cópia do sua prova.
"Aconselhamos a todos alunos peçam cópia da sua prova, que verifiquem se têm todas as folhas (uma vez que este ano não existe um espaço para anotar o número total de folhas que cada aluno usou) e que verifiquem se a classificação foi feita corretamente. "Depois, podem ou não pedir a reapreciação da prova, não têm que o fazer, mas é importante que tenham a certeza que a sua prova está bem classificada", avisa Cristina Mota.
Para pedir a reapreciação, o aluno deve fazer uma exposição e entregá-lo na secretaria da escola, pagando 25 euros (que serão devolvidos no caso de se concluir que a prova tinha sido mal classificada e a nota final seja superior).
Depois, há um professor classificador convocado que recebe a prova, verifica os argumentos do aluno e faz um relatório. "Isto é algo que dá trabalho e leva algum tempo. Nos anos anteriores, as reapreciações foram casos pontuais e era possível gerir. Mas se forem muitos alunos será mais um problema que terá de ser resolvido", alerta a responsável da Missão Escola Pública.
Este ano pela primeira vez os cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram digitalizados e depois distribuídos pelos professores avaliadores. No entanto, o sistema informático tem apresentado problemas desde o início, com convocatórias erradas de professores até falhas na plataforma que impedem os docentes de corrigir os exames do 11.º e 12.º anos.
"O Bloco de Esquerda lançou a proposta, que nós consideramos muito pertinente, de criar uma comissão de inquérito, uma vez que o ministro não deu explicações necessárias. Queremos saber qual é a empresa que está envolvida na digitalização, quais os procedimentos adotados, que é que teve acesso aos exames. São respostas que têm de ser dadas", exige.
De acordo com a proposta, Fabian Figueiredo quer que esta comissão analise as “decisões, contratações e responsabilidades na conceção e execução da classificação digital dos exames nacionais de 2025 e 2026, incluindo os efeitos da reorganização orgânica do Ministério da Educação, Ciência e Inovação nesse processo e as suas consequências para os alunos, designadamente no acesso ao Ensino Superior”.
O bloquista considera que a integridade, fiabilidade e confiança depositada no sistema público de exames e de acesso ao Ensino Superior está comprometida, “não por força de um acidente, mas na sequência de um encadeamento de decisões políticas cujas circunstâncias, fundamentos e responsabilidades importa apurar com os poderes que só um inquérito parlamentar confere”.
Fonte: TVI





