InícioRevistaPolíticaTRUMP PONDERA APOIAR GIANNI INFANTINO PARA LIDERAR A ONU

TRUMP PONDERA APOIAR GIANNI INFANTINO PARA LIDERAR A ONU

Por: Virgílio Timana

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estará a considerar propor o nome de Gianni Infantino para o cargo de secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo avançou esta terça-feira o jornal norte-americano New York Post. A informação surge numa altura em que decorre o processo de escolha do sucessor do português António Guterres, cujo mandato termina em dezembro deste ano.

De acordo com a publicação, Trump considera que os nomes atualmente apontados para a liderança das Nações Unidas não reúnem o perfil desejado para enfrentar os desafios da organização. Fontes próximas do Presidente norte-americano afirmam que o chefe de Estado vê em Infantino uma figura respeitada a nível internacional e com capacidade para aproximar diferentes países e sensibilidades.

A mesma fonte sustenta que Trump acredita que o presidente da FIFA possui uma "habilidade especial para unir as pessoas", característica que, na sua perspetiva, poderá ser determinante para dirigir uma organização composta por 193 Estados-membros.

Apesar das especulações, não existe qualquer confirmação de que Gianni Infantino esteja disponível para disputar o cargo. Além disso, o processo de escolha do secretário-geral da ONU segue um procedimento diplomático rigoroso. O candidato necessita primeiro da recomendação do Conselho de Segurança, onde os cinco membros permanentes, Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido, dispõem de direito de veto. Só depois poderá ser submetido à aprovação da Assembleia-Geral.

A aproximação entre Donald Trump e Gianni Infantino tornou-se mais evidente durante os preparativos e a realização do Campeonato do Mundo de 2026, organizado conjuntamente pelos Estados Unidos, Canadá e México. Ao longo desse período, ambos participaram em diversos eventos oficiais ligados ao torneio e fortaleceram uma relação que já vinha sendo construída nos últimos anos.

O dirigente suíço de 56 anos manifestou publicamente apoio ao Presidente norte-americano em várias ocasiões. Em dezembro, a FIFA atribuiu a Donald Trump o primeiro Prémio da Paz da organização, distinção entregue pelo próprio Infantino.

As declarações favoráveis à eventual candidatura também foram reforçadas por Paolo Zampolli, empresário e enviado especial da administração Trump. Em entrevista ao New York Post, considerou que "só o Presidente Trump poderia ter uma ideia tão genial" e afirmou que Infantino reúne qualidades para desempenhar o cargo.

Segundo Zampolli, existe uma semelhança entre liderar a FIFA e dirigir a ONU, uma vez que ambas exigem capacidade para gerir organizações de dimensão global. Enquanto as Nações Unidas reúnem 193 Estados-membros, a FIFA congrega mais de duas centenas de federações nacionais. Para o empresário, o percurso de Infantino demonstra experiência na construção de consensos e na gestão de interesses distintos.

Ao longo do seu mandato na FIFA, Gianni Infantino tem defendido repetidamente que o futebol deve funcionar como instrumento de aproximação entre povos e culturas. Uma das frases que mais tem repetido resume essa visão: o futebol deve unir as pessoas e dar esperança ao mundo. O dirigente também costuma destacar que a FIFA reúne mais membros do que a própria ONU, argumento utilizado para ilustrar o alcance global da modalidade.

A notícia surge, contudo, num contexto marcado pela relação complexa entre Donald Trump e as Nações Unidas. Durante os seus mandatos, o Presidente norte-americano criticou frequentemente o funcionamento de várias instituições multilaterais e determinou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre o clima, da Organização Mundial da Saúde e do Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Até ao momento, nem a FIFA nem as Nações Unidas reagiram oficialmente às informações divulgadas pelo New York Post. Também Gianni Infantino não comentou a possibilidade de vir a ser apontado como candidato à sucessão de António Guterres. Entretanto, o processo de escolha do próximo secretário-geral prossegue, cabendo aos Estados-membros decidir quem assumirá a liderança da organização a partir de 2027.

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